21 de mar de 2016

Dicas para contar histórias



Contar uma história não é algo simples... Não se pode contar uma história de qualquer jeito. Para se prender a atenção dos espectadores e fazer com que eles compreendam e tirem uma lição ou experiência da história torna-se necessário obter algumas habilidades... Trechos do livro "Dinâmicas para Contar Histórias" de Rogério Bellini, Edições Paulinas (compre AQUI).

Vamos nos preparar?
"Senta que lá vem a história..."

1 - Elementos essenciais de uma história
  
 Exemplo: Entrada de Jesus em Jerusalém (Mt 21,1-11)

Introdução

    É formada pelo bloco inicial da história, ou seja, parte preparatória que tem por objetivo: localizar o enredo da história no tempo e no espaço; apresentar os principais personagens da história e caracterizá-los.
     “No tempo em que Jesus caminhava em Israel, aproximou-se, com seus discípulos, de Jerusalém, a capital do país. Vinham de Jericó, onde havia curado dois cegos que estavam sentados à beira do caminho”.

Enredo

    É a sucessão de episódios que constituem a história, os conflitos que surgem e a ação dos personagens. É o corpo da narrativa e apresenta uma sequência ordenada, de modo a orientar o ouvinte e facilitar a tarefa do narrador. O enredo é parte essencial da narrativa.
     “Antes de entrar na cidade, Jesus enviou dois de seus discípulos, dizendo-lhes: "Vão à aldeia que está adiante. Vocês encontrarão uma jumenta amarrada e, com ela, um jumentinho. Desamarrem os animais e tragam aqui. Se alguém perguntar qualquer coisa, dizendo que o Senhor precisa deles e sem demora os devolverá".


Ponto Culminante

     É quanto o enredo da história atinge o máximo de intensidade. Uma boa narrativa, com enredo bem imaginado, deve apresentar pontos de "suspense", isto é, fatos emocionantes.

     “Os discípulos foram e fizeram o que Jesus mandou: trouxeram a jumenta e o jumentinho, puseram seus mantos em cima e fizeram Jesus montar. A multidão estendia os mantos pelos caminhos, cortava ramos de árvores e os espalhava pela estrada. E todos os que andavam a frente de Jesus e os que seguiam atrás, aclamavam: ‘Hosana ao Filho de Davi! ’”.
     Quando Jesus entrou em Jerusalém, toda a cidade ficou alvoroçada, perguntando: "Quem é este homem?". A multidão respondia: É Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia!".

Desfecho

     O desenlace final da história, isto é, a conclusão dos fatos nela apresentados, chama-se desfecho. Nos contos tradicionais é uma frase conclusiva, que deve ser curta e satisfatória. O conto de fadas e as histórias da carochinha, que são clássicas, terminam em geral assim: "Casaram-se e viveram felizes para sempre!" Nas histórias bíblicas o desfecho é uma conclusão que pode estar no próprio texto ou que é interpretada por quem conta a história, como esta:

     A multidão reconheceu e acolheu Jesus em sua entrada em Jerusalém. Mal sabia ela, que aquele homem iria sofrer e morrer, condenado pelo próprio povo, mas que iria ressuscitar para ser, finalmente, aclamado por toda a Terra e pelos Céus, por toda a eternidade!
     É Jesus, nosso Deus Salvador!
     Foi assim que Mateus escreveu.

2 - Atitudes e Técnicas para o sucesso da história

Gostar da História

     Tudo que se faz com prazer tem bom resultado. Dentro do seu grupo de catequistas, é necessário identificar quem aprecia determinado gênero de narrativa. Umas pessoas gostam de contar histórias de animais, outras preferem contar histórias de fadas, de personagens humanas etc. É preciso escolher a pessoa que melhor se identifique com o clima e o gênero de narrativa, para que ela comunique a mensagem com mais vivacidade.

Estudar a história
 
Silenciosamente

    Se você vai contar uma história, faça antes uma leitura silenciosa, e aproveite para conhecer os personagens e colocar a imaginação para fora: Como seria a voz deste e daquele personagem? Qual a música que melhor representaria esse lugar? Que sons tem o contexto em que acontece a cena? Depois, pergunte-se em que momentos os participantes poderão interagir com a narrativa. Em seguida, crie movimentos e sons para que eles possam imitar, como se fizessem parte do texto.

   Voltemos à narrativa da entrada de Jesus em Jerusalém.
   
   Os catequizandos poderão interagir, imitando o som de um jumentinho. A um sinal estabelecido, o grupo poderá dizer: É Jesus! Há dois momentos da história em que a multidão grita forte o nome do Senhor. As crianças poderão aclamar: "É Jesus!" e, em seguida, o contador pode completar: "o profeta de Nazaré da Galileia" e depois "o nosso Deus Salvador".
 
   Ao contar essa história pode-se providenciar ramos para que as crianças representem o momento em que a multidão os espalhou pelo caminho onde Jesus ia passando.

Oralmente   

Após a leitura silenciosa, volte a ler o texto em voz alta. Essa é a hora em que você constrói o "contar", talvez seja o momento mais importante. O conteúdo, que já se encontra na mente, é exteriorizado, com liberdade e criatividade, colocando em ação todos os seus dons e talentos para comunicar. Sua voz dá vida à história, o ritmo da narrativa é marcado pela entonação, pelas pausas que você faz. enfim por todo potencia de som com o qual você possa presentear o texto.
Em frente ao espelho
    
O espelho é um excelente juiz, nele você vê a imagem que a plateia terá de sua apresentação. Ao contar histórias em frente ao espelho, será mais fácil corrigir gesticulações desnecessárias, ter uma postura adequada e criar expressões faciais conforme pedem cada personagem. Esse exercício é muito importante também para o autoconhecimento e a autoestima. Quando nos sentimos bem, tornamo-nos mais seguros de nossa capacidade e podemos enfrentar qualquer desafio!

3 - Como contar uma história a um grupo 

      Crianças da catequese ou da escola, professores, catequistas, uma assembleia na Igreja, uma plateia de auditório, enfim para todas as pessoas que estejam de coração aberto e se disponham a ouvir uma história.

"Enfeitar" a história com:

   - onomatopeias: por exemplo, "toc, toc" na porta, "tique-taque" do relógio, etc.
   - ruídos: vento, trovoada, enchente, etc.;
   - pausas maiores ou menores;
   - movimentos de mãos, olhos, corpo.

Providenciar material adequado: 

  - álbum seriado                               - livros ilustrados
  - cartazes                                        - quadros de pregas
  - cineminha                                     - transparências para retroprojetor
  - desenhos no quadro-negro            - fantoches
  - figuras para flanelógrafo

        O teatro de fantoches é um dos recursos mais antigos e ricos de expressão artística. Há milênios, tanto no Oriente quanto no Ocidente, crianças e adultos têm utilizado esse recurso na literatura, na música, na expressão corporal, nas artes plásticas.
        Construir e manipular fantoches são atividades que proporcionam descontração e prazer, além de serem fatores de integração no grupo. Na catequese eles podem ser usados para desenvolver habilidades e conhecimentos. A criação de um personagem é algo "mágico", afinal o fantoche ganha vida própria a partir do momento em que adquire movimentos, voz, emoção.
        Para a catequese é um ótimo recurso pedagógico, pois a mensagem comunicada pelos fantoches atrai a atenção das crianças de forma dinâmica e prazerosa.

Motivar o auditório

       Quando você estiver diante de um auditório, a história deixa de ser sua e passa a ser de todos. É uma experiência semelhante a ir ao cinema: é como se as pessoas estivessem dentro do cenário, como num filme, vivendo, com o personagem, cada momento do texto. Quando isso acontece, o auditório torna-se corresponsável pela narrativa, o que é muito bom, porque o sucesso de uma apresentação não depende só de quem conta a história.
       Está comprovado que as pessoas aprendem melhor quando interagem do que quando simplesmente veem e ouvem. Com as histórias acontecem o mesmo: quando você participa do processo, sente-se introduzido pela narrativa, ela terá algo que lhe pertence, que é seu, que tem significado para você.

Como motivar a plateia para participação

        Antes de iniciar a narrativa, peça às pessoas que ajudem a contar a história escolhida. Organize o grupo em subgrupos, de acordo com os personagens que compõe a história ou com os momentos nos quais a interação será necessária. Isso você deve definir antes, quando fizer a leitura silenciosa do texto. Pode-se fazer um ensaio geral, para descontrair e permitir que as pessoas compreendam o que vai acontecer e saibam a hora de interagir.
Exemplo: Ao narrar a passagem bíblica “A tempestade acalmada", você pode motivar a plateia para reproduzir a ventania, pedindo que imite a onda com as mãos para frente e diga "Vuuuull!Vuuulll!"

Servir-se de objetos e técnicas interativas

        De acordo com a criatividade de cada contador, pode-se distribuir fitas de papel para fazer movimentos, folhas para que durante a história façam dobraduras, lenços, flores, confete, balões, bolhas de sabão etc. Não esqueça que é sempre necessário combinar um sinal com os participantes, antes do início da história, para que todos tenham conhecimento do que será feito.

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