20 de out de 2008

SÓ MAIS UM PASSO


Pedro pilotava sobre a cordilheira quando seu pequeno monomotor sofreu uma pane, caindo sobre a montanha de neves eternas.
Embora não tivesse se ferido gravemente, suas pernas apresentaram profundos cortes e sérios ferimentos. Com muito esforço, sentindo fortes dores ele abandonou a cabine do avião destroçado.
Ao constatar a extensão dos ferimentos compreendeu que não teria como sair dali sozinho. Olhou o horizonte em todas as direções e só viu solidão gelada.
Conhecedor da região, entendeu que seu fim estava próximo, pois estava com sérios ferimentos que sofrera nas pernas.
Por um instante sentiu-se tomado de pânico, e pela dor de saber que chegava ao fim de seus dias.
Pensou na família que não tornaria a ver, nos amigos, nas tantas coisas que ainda pretendia realizar e na impotência de não ter a quem pedir socorro.
Depois, já mais conformado, pos-se a pensar nas medidas a tomar. Não havia nada a fazer no sentido de sobrevivência, portanto o mais sensato seria deitar-se na neve, esperar que o torpor causado pelo frio tomasse conta do seu corpo, permitindo que fosse envolvido sem dor pelo manto da morte.
Meu consolo – pensava ele – é saber que minha família não ficará desamparada, meu seguro de vida tem cobertura suficiente para proporcionar subsistência por muito tempo. Menos mal. Felizmente tive o bom senso de estar preparado para uma situação dessas, tão logo seja liberado meu atestado de óbito a companhia de seguros...
Nesse instante Pedro teve um sobressalto. Sua apólice de seguro só seria paga mediante a apresentação do atestado de óbito, ora naquele lugar inacessível, seu corpo jamais seria encontrado. Ele seria dado por desaparecido, não haveria, pois atestado de óbito.
Sua família sofreria muito e passaria por muitas dificuldades. Ele pensou no filhinho.
Apavorado com essa idéia ele pensou: Na primeira tempestade de neve que cair soterrará meu corpo, nunca irão me achar, preciso caminhar até um lugar onde meu corpo possa ser encontrado.
As dores que sentia eram cruciantes, mas sua determinação era maior. Ele sabia que ao pé da cordilheira havia um povoado cujos moradores costumavam aventurar-se até certa altura da montanha para caçar. A distancia era longa, mas ele precisava realizar a última proeza de sua vida: chegar até onde seu corpo pudesse ser encontrado por um caçador, porque seu filhinho necessitava.
Reunindo todas as forças que ainda lhe restavam obrigou-se a ficar em pé. Foi preciso muito esforço para não cair.
Consciente da distancia que teria de percorrer, estabeleceu a meta de dar um passo de cada vez. Jogou um passo a frente e disse – só um passo!
Com extrema dificuldade empurrava a outra perna e repetiu – só mais um passo!E de novo – só mais um passo!
Concentrando toda sua força apenas no próximo passo estabelecendo uma forte força de vontade através do comando – só mais um passo – ele caminhou quilômetros pela neve, não se permitia pensar na distância que ainda faltava percorrer, ou em sua dificuldade para se locomover, concentrava-se apenas no passo a ser vencido pelo passo seguinte.
A tarde já ia avançando com seus olhos turvos pela dor e pelo cansaço vislumbrara alguns vultos pela frente. Firmou o olhar e percebeu que se tratavam de pessoas que o olhavam admiradas – Agora já posso morrer – pensou. E deixou-se escorregar para o nada.
Dias depois, já no hospital, abriu os olhos e a primeira imagem que viu foi a esposa ao seu lado com o filhinho.
A determinação deste homem valente ressalta a fixação do objetivo – só mais um passo - que lhe proporcionou força e ânimo bastante para vencer a dura prova pela qual passara.

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