9 de abr. de 2008

São Domingos Sávio: O Mais Jovem Santo Não Mártir da Igreja

O primeiro e mais abalizado biógrafo de São Domingos Sávio foi seu diretor espiritual e mestre, o grande São João Bosco. Dele extraímos os dados para este artigo.

Filho de Carlos Sávio e Brígida Agagliate, Domingos Sávio nasceu em Riva, vila de Castelnuovo de Asti, em 2 de abril de 1842.

Desde pequeno foi dotado “de uma índole doce e de um coração formado para a piedade, aprendeu com extraordinária facilidade as orações da manhã e da noite, que rezava já quando tinha apenas quatro anos de idade”.

Certo dia, durante um almoço em sua casa oferecido a um visitante, não tendo este rezado antes de começar a comer, Domingos pegou seu prato e retirou-se a um canto. Seu pai perguntou-lhe depois por que fizera isso. Ele respondeu: “Não me atrevo a pôr-me à mesa com uma pessoa que começa a comer como o fazem os bichos”.

Quando tinha cinco anos, ia à igreja com sua mãe; sua atitude devota chamava a atenção de todos. Se o templo estava ainda fechado, ajoelhava-se junto à porta, e aí ficava orando até que fosse aberto, não lhe importando se chovia ou nevava, se fazia calor ou frio.

Nessa idade, aprendeu a ajudar a Missa, o que fazia com muita devoção, apesar da dificuldade que tinha para transportar o enorme missal.

Seu programa de vida: “Antes morrer que pecar”

Chegado o tempo de aprender as primeiras letras, “como estava dotado de muito engenho, e era muito diligente no cumprimento de seus deveres, fez em breve tempo notáveis progressos nos estudos”.

Evitava todos os meninos arruaceiros e só estabelecia amizade com os de boa conduta.

Domingos confessava-se freqüentemente. Tão logo soube distinguir entre “o pão celestial e o terreno”, foi admitido à Primeira Comunhão, aos sete anos, quando na época a idade mínima para tal era 12 anos.

Pode-se perceber a maturidade do menino nos propósitos que deixou registrados nesse dia:

“Propósitos que eu, Domingos Sávio, me propus no ano de 1849, quando fiz a Primeira Comunhão, aos 7 anos de idade:

1. Confessar-me-ei muito amiúde e receberei a Sagrada Comunhão sempre que o confessor me permita;

2. Quero santificar os dias de festa;

3. Meus amigos serão Jesus e Maria;

4. Antes morrer que pecar.

Este último propósito, feito por um menino de tão tenra idade, mostra a que ponto haviam chegado sua precoce maturidade e sua virtude. Tornou-se ele seu programa de vida. Quantos meninos de 7 anos, hoje em dia, teriam semelhante propósito, sobretudo depois de terem sido massacrados por aulas da chamada “educação sexual”?

Calado, sofre injustiça por amor de Deus

Terminado o primário em Mondonio, para onde se havia mudado, Domingos tinha que ir até Castelnuovo duas vezes por dia, ida e volta, o que representava uma caminhada de quase 20 quilômetros diários. Para um menino de 10 anos, e franzino de compleição, era um esforço grande. Mas, movido pelo desejo de estudar para abraçar o sacerdócio, fazia alegremente o sacrifício.

Domingos, por sua inteligência e aplicação, obteve sempre o primeiro lugar na classe, além de outras distinções por seu bom comportamento e pelo cumprimento dos deveres.

Determinado dia, alguns colegas seus encheram de pedras a estufa da classe. Era uma grave falta de disciplina, que merecia como penalidade a expulsão dos infratores. Estes, porém, acusaram Domingos Sávio de ter sido o autor do ato. O mestre, um sacerdote, embora duvidando, teve que ceder ante as evidências que lhe apresentavam. Chamou Domingos, mandou-o ajoelhar-se na frente da classe, e diante de todos os seus colegas passou-lhe um pito, dizendo que só não o expulsava por ter sido sua primeira falta. Domingos abaixou a cabeça e nada disse.

No dia seguinte, descobriu-se a verdade. O sacerdote chamou então Domingos e perguntou-lhe por que não se havia justificado. Ele disse que queria imitar Nosso Senhor, que foi acusado injustamente e não se defendeu. Além do mais, sabia que sua defesa poderia ter causado a expulsão de outros alunos. Como seria sua primeira falta, sabia que seria perdoado.

Domingos Sávio: outro São Luís Gonzaga

Em 1854, Dom Bosco foi procurado por D. Cugliero, professor de Domingos, “para falar-me de um seu aluno, digno de particular atenção por seu engenho e piedade: — ‘Aqui nesta casa (o Oratório de Dom Bosco) é possível que tenhas jovens que o igualem, mas dificilmente haverá quem o supere em talento e virtude. Observa-o, e verás que é um São Luís’”.

Nessa ocasião Dom Bosco tomou conhecimento da existência de Domingos Sávio, que contava 12 anos. Ele assim o descreve: “Era Domingos algo débil e delicado de compleição, de aspecto grave e ao mesmo tempo doce, com um não sei quê de agradável seriedade. Era afável e de aprazível condição, de humor sempre igual. Guardava constantemente na classe e fora dela, na igreja e em todas partes, tal compostura, que o mestre sentia a mais agradável impressão somente com o vê-lo e falar-lhe”.

Conhecendo melhor o novo discípulo ao longo dos anos, afirmou ainda sobre ele Dom Bosco: “Todas as virtudes que vimos brotar e crescer nele, nas diversas etapas de sua vida, aumentaram sempre maravilhosamente e cresceram juntas, sem que uma o fizesse em detrimento de outra”. Era impressionante ver a seriedade com que cumpria com os menores deveres. “No ordinário, começou a fazer-se extraordinário. [...] Aqui teve começo aquela vida exemplaríssima, aquele contínuo progresso de virtude em virtude, e aquela exatidão no cumprimento de seus deveres, que dificilmente se pode avantajar”.

Declaração de guerra: morte ao pecado mortal

A devoção do pequeno Domingos para com Nossa Senhora era extrema. No dia 8 de dezembro de 1854, ano da proclamação do dogma da Imaculada Conceição pelo Bem-aventurado Papa Pio IX, ante o altar da Virgem, ele renovou seus propósitos da Primeira Comunhão e fez esta oração: “Maria, eu vos dou meu coração; fazei com que seja vosso. Jesus e Maria, sede sempre meus amigos; mas, por vosso amor, fazei com que eu morra mil vezes antes que tenha a desgraça de cometer um só pecado”.

Esse horror ao pecado era muito vivo em Domingos, que costumava dizer: “Quero declarar guerra de morte ao pecado mortal”.

Mas não era só ao pecado mortal. Dizia: “Quero pedir muito, muito, à Santíssima Virgem e ao Senhor que me mandem antes a morte que deixar-me cair em um pecado venial contra a modéstia”.

Isso não se obtém sem uma pureza angélica. Essa virtude terá sido obtida à custa de muita oração e vigilância? Ou, conforme declarou São João Rua, seu condiscípulo no Oratório, no processo de beatificação: “Tenho a convicção de que Domingos, por singular privilégio, não estava sujeito a tentações contra a castidade”.

Desejo intensíssimo de santidade

Seis meses após a entrada de Domingos Sávio no Oratório, Dom Bosco fez aos alunos uma preleção sobre o dever que todos têm de serem santos, e a facilidade que há nisso, caso se busque em todas as coisas a vontade de Deus com toda simplicidade. Isso inflamou beneficamente Domingos Sávio, que foi procurá-lo e disse: “Quero dizer-vos que sinto um desejo e uma necessidade de fazer-me santo. Nunca teria imaginado que alguém pode chegar a ser santo com tanta facilidade; mas agora que vi que alguém pode muito bem chegar a ser santo estando sempre alegre, quero absolutamente e tenho absoluta necessidade de ser santo”.

Procedendo como experimentado diretor espiritual, Dom Bosco relata: “A primeira coisa que lhe aconselhei, para chegar a ser santo, foi que trabalhasse em ganhar almas para Deus, pois não há coisa mais santa nesta vida do que cooperar com Deus na salvação das almas, pelas quais Jesus Cristo derramou até a última gota de seu preciosíssimo sangue”.

Domingos transformou esse conselho em programa de vida, tornou-se um batalhador. “Não deixava passar ocasião de dar bons conselhos e avisar a quem dissesse ou fizesse coisa contrária à santa lei de Deus”. Exclamava: “Quão feliz seria se pudesse ganhar para Deus todos os meus companheiros!”. Dizia também que gostaria muito de reunir as crianças para ensinar-lhes o catecismo. Tinha presente quantas crianças, ao chegar à idade da razão, corrompem-se moralmente e perdem suas almas. A esse propósito, observou: “Quantos pobres meninos se condenam talvez eternamente por não haver quem os instrua na fé!”

Zelo pela conversão da Inglaterra

Seu zelo ia muito além. Não se restringia à sua vida espiritual, seus horizontes eram largos. Várias vezes disse a D. Bosco: “Quantas almas esperam nossos auxílios na Inglaterra! Oh! Se eu tivesse forças e virtude, quisera ir agora mesmo, e com sermões e bom exemplo, convertê-las todas a Deus”. Ele teve mesmo uma visão a esse respeito, e pediu que Dom Bosco a comunicasse ao Papa, quando fosse a Roma.

Afirma São João Rua: “Era verdadeiramente admirável que em um jovenzinho de sua idade reinasse tanto zelo pela glória de Deus, até o ponto de sentir horror e mesmo sofrer fisicamente quando ouvia alguém blasfemar, ou via de qualquer modo ofender-se a majestade de Deus”.

Outro condiscípulo mostra seu amor combativo pela fé, contra as heresias: “Naqueles tempos, mais de uma vez encontrei emissários protestantes vindos expressamente ao Oratório para semear seus erros. E um dos mais solícitos para impedi-los nessa ação era o jovenzinho Domingos Sávio”.

“Sua oração predileta – afirma Dom Bosco – era a coroa ao Sagrado Coração de Jesus para reparar as injúrias que recebe dos hereges, infiéis e maus cristãos”.

Enfim, muita coisa poder-se-ia ainda dizer sobre São Domingos Sávio, que ultrapassaria os limites deste artigo. Ele faleceu santamente no dia 9 de março de 1857 aos 15 anos de idade. E Dom Bosco tinha tanta certeza de sua santidade e futura canonização, que, num epitáfio que lhe escreveu, diz: “[...] Os que, havendo experimentado os efeitos de sua celestial proteção, gratos e ansiosos, esperam a palavra do oráculo infalível de nossa Santa Mãe a Igreja”.



Oração a São Domingos Sávio

Querido São Domingos, vós que ofereceu sua curta vida totalmente ao amor de Jesus e de Sua Mãe .Ajudai a juventude de hoje a compreender a importância de Deus em suas vidas. Vós tornastes um santo através de permanente participação nos sacramentos, iluminai os meus parentes e filhos da importância da freqüente Confissão e da Santa Comunhão. Quando jovem vós meditastes no sofrimento da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, obtenha para nós a graça de um ardoroso desejo de sofrer por amor a Ele.

Nós desesperadamente necessitamos de sua intercessão para proteger as crianças de hoje das tentações e das zombarias do mundo. Olhai por eles e guiai-os na estrada para o Paraíso.

Peça a Deus que nos dê a graça de santificar nossos deveres diários fazendo-os por amor a Ele. Nos lembre sempre da necessidade de praticar as virtudes em tempos de atribulações e dificuldades.

São Domingos Sávio, preservai a vossa inocência em nossos corações e rogai ao Senhor por nós e pela salvação de nossa alma. Amém.


(por Plínio Solimeo, em Catolicismo)

4 de abr. de 2008

Santa Edwiges



Santa Edwiges nasceu em 1174 na Alemanha. Filha de nobres, foi criada em ambiente de luxo e riqueza, o que não a impediu de ser simples e viver com humildade. O seu bem maior era o amor total a Deus e ao próximo.
Aos 12 anos ela se casou com Henrique, príncipe da Silésia (um dos principados da Polônia medieval e atual região administrativa da Polônia), com quem teve seis filhos, sendo que dois deles morreram precocemente. Culta, inteligente e esposa dedicada, ela cuidou da formação religiosa dos filhos e do marido.


Mulher de oração, vivia em profunda intimidade com o Senhor. Submetia-se ao sacrifício de jejuns diários, limitando-se a comer alguns legumes secos nos Domingos, Terças, Quintas e Sábado. Nas Quartas e Sextas-feiras somente pão e água. Isto sempre em quantidade limitada, somente para atender as necessidades do corpo.
No tempo do Advento e da Quaresma, Edwiges se alimentava só para não cair sem sentidos. O esposo não aceitava aquela austeridade. Numa Quarta-feira de Quaresma ele esbravejou por haver tão somente água na mesa sendo que ele só bebia vinho. Edwiges então lhe ofereceu uma taça, cujo líquido se apresentou como vinho. Foi um dos muitos sinais ou milagres que ela realizou.
Algum tempo depois Edwiges caiu vítima de uma grave enfermidade. Foi preciso que Guilherme, Bispo de Módena, representante do Papa para aquelas regiões, exigisse com uma severa ordem a interrupção de seu jejum. A Santa dizia que isto era mais mortificante do que a sua própria doença.
Dedicou toda sua vida na construção do Reino de Deus. Exerceu fortes influências nas decisões políticas tomadas pelo marido, interferindo na elaboração de leis mais justas para o povo.
Junto com o marido construiu Igrejas, Mosteiros, Hospitais, Conventos e Escolas. Por isto, em algumas representações a Santa aparece com uma Igreja entre as mãos.
Aos 32 anos, fez votos de castidade, o que foi respeitado pelo marido. Quando ficou viúva, foi morar no Mosteiro de Trebnitz, na Polônia, onde sua filha Gertrudes era superiora. Foi lá que Edwiges deu largos passos rumo à santidade. Vivia com o mínimo de sua renda, para dispor o restante em socorro dos necessitados. Ela tinha um carinho especial pelas mulheres e crianças abandonadas. Encaminhava as viúvas para os conventos onde estariam abrigadas em casos de guerra e as crianças para escolas, onde aprendiam um ofício. Era misericordiosa e socorria também os endividados. Em certa ocasião, quando visitava um presídio, ela descobriu que muitos ali se encontravam porque não tinham como pagar as suas dívidas. Desde então, Edwiges saldava as dívidas de muitos e devolvia-lhes a liberdade. Procurava também para eles um emprego. Com isto eles recomeçavam a vida com dignidade, evitando a destruição das famílias em uma época tão difícil como era aquela do século 13. E ainda mantinha as famílias unidas.
Assim, Santa Edwiges, é considerada a Padroeira dos pobres e endividados e protetora das famílias. Sua morte ocorreu no dia 15 de outubro de 1243. E foi canonizada no dia 26 de março de 1267, pelo Papa Clemente IV. Como no dia 15 de Outubro celebra-se Santa Tereza de Ávila, a comemoração de Santa Edwiges passou para o dia 16 de Outubro. Modelo de esposa, celibatária e viúva, a Santa não faltava à Missa aos Domingos, e isto ela pede aos seus devotos: mais amor a Jesus na Eucaristia e auxílio aos necessitados.


Oração à Santa Edwiges

Ó Santa Edwiges, vós que na terra fostes o amparo dos pobres, a ajuda dos desvalidos e o socorro dos endividados, e no Céu agora desfrutais do eterno prêmio da caridade que em vida praticastes, suplicante te peço que sejais minha advogada, para que eu obtenha de Deus o auxílio de que urgentemente necessito: (fazer o pedido). Alcançai-me também a suprema graça da salvação eterna. Santa Edwiges, rogai por nós. Amém.

1 de abr. de 2008

Consagração ao Menino Jesus de Praga

Ó dulcíssimo Menino Jesus, que com tanta liberalidade fostes dado a mim por Vosso nascimento, eu me prostro hoje aos Vossos pés, sob a proteção da Santa Virgem e de São José.

Eu vos consagro meu coração, minha alma e toda minha pessoa a Vosso serviço, sem reservas.
Ah, meu Salvador, quem me dera possuir corações para amar-vos cada vez mais.

Porém, eu associar-me-ei a outros; quero que outros vos honrem!

Quem me dera inspirar a todos os corações a devoção à Vossa Infância adorável!
Dignai-vos, ó Santíssimo Menino Jesus, fazer que vossos associados, experimentem o grande poder de vossa pequenez e que vossa divina pureza, vossa simplicidade e vossa inocência sirvam de modelo a todos os vossos servos. Assim seja!

Origem da Devoção ao MENINO JESUS DE PRAGA


Fernando II, imperador da Alemanha, para expressar sua gratidão a Nosso Senhor pela insigne vitória alcançada em uma batalha, construiu em 1620, na cidade de Praga, um convento de Padres Carmelitas. A Boêmia passava por momentos muito difíceis, assolada por guerras sangrentas. A cidade de Praga era vítima das mais indizíveis calamidades. Neste contexto, chegam estes excelentes religiosos, cujo mosteiro carecia até do indispensável para sua sobrevivência. Nessa época, vivia em Praga a piedosa princesa Policena Lobkowitz. Sofrendo na alma as prementes necessidades dos Carmelitas, presenteou-lhes com uma pequena estátua de cera, de 48 cm., que representava um formoso Menino Deus, de pé, com a mão direita erguida em atitude de bênção. A mão esquerda segurava um globo dourado. Seu rosto era muito amável e gracioso. A túnica e o manto tinham sido confeccionados pela própria princesa. Esta, ao dar a estátua aos religiosos carmelitas, disse-lhes: "Meus padres, entrego-lhes o maior tesouro que possuo neste mundo. Prestem muitas honras a este Menino Jesus e nada lhes faltará."

Os Carmelitas, muito agradecidos, receberam a estátua. Colocaram-na no oratório interno do convento, passando a ser venerada por aqueles bons religiosos, especialmente pelo Padre Cirilo. Sem dúvida, este homem poderia receber o título de "Apóstolo do Divino Menino Jesus de Praga".

A profecia da piedosa princesa cumpriu-se literalmente. Não tardaram a se manifestar os efeitos maravilhosos da proteção do Divino Menino. Muito rapidamente, e em várias ocasiões, verificaram-se inúmeros prodígios e as necessidades do mosteiro foram milagrosamente socorridas.

Mais uma vez explode a guerra na Boêmia. Em 1631, o exército da Saxônia se apodera da cidade de Praga. Os Padres Carmelitas, prudentemente, acharam por bem se transferir para Munique. Durante essa época tão desastrosa, especialmente para Praga, a devoção ao Menino Jesus caiu no esquecimento. Os hereges destruíram a Igreja, saquearam o mosteiro, entraram no oratório interno, zombaram da estátua do Menino Jesus e lhe quebraram as mãos, jogando-a com desprezo atrás do altar.

No ano seguinte, com a retirada dos inimigos de Praga, os religiosos puderam retornar ao seu convento. Mas ninguém se lembrou da preciosa estátua. Por isto, sem dúvida, o mosteiro viu-se reduzido à miséria, como o resto da população. Os religiosos careciam de alimentos e dos recursos necessários para a restauração de sua casa.

Em 1637, após sete anos de desolação, o Padre Cirilo retornou a Praga. A Boêmia, cercada de inimigos por todas os lados, corria o risco de sucumbir e, quem sabe, até de perder o dom inestimável da fé. Em meio a tais agruras, enquanto o Padre Guardião exortava aos religiosos para que insistissem junto a Deus para colocar fim a tantos males, o Padre Cirilo aproveita para falar-lhe da inesquecível imagem do Divino Menino. Obtém licença para buscá-la e a encontra, finalmente, entre os escombros detrás do altar. Limpou-a e a cobriu de beijos e lágrimas. Estando ainda intacto o rosto da imagem, ele a expôs no coro para que os religiosos a venerassem. Estes, confiantes em sua proteção, se ajoelharam diante do Divino Infante, implorando para que fosse seu refúgio, fortaleza e amparo em todos os sentidos.

A partir do momento em que a imagem foi colocada em seu lugar de honra, o inimigo bateu em retirada e o convento foi reabastecido de tudo que os religiosos necessitavam.

Certo dia, o Pe. Cirilo orava diante da imagem, quando ouviu claramente estas palavras: "Tende piedade de mim e eu terei piedade de Vós. Devolvei minhas mãos e eu vos devolverei a paz. Quanto mais me honrardes, tanto mais vos abençoarei". Realmente a imagem estava sem as mãos, detalhe para o qual o Pe. Cirilo não atentara, de tão alegre que estava. Surpreso, o bom Padre correu imediatamente à cela do Padre Superior e lhe contou o fato, pedindo-lhe para mandar reparar a imagem. O Superior se negou a atendê-lo, alegando a extrema pobreza do convento. O humilde devoto de Jesus foi chamado a atender um moribundo, Benedito Maskoning, que lhe deu 100 florins de esmola. Pe. Cirilo levou o dinheiro ao Superior, convicto de que poderia usá-lo para consertar a imagem. Mas o Superior achou melhor comprar outra imagem, ainda mais bela. E assim foi feito. O Senhor não demorou a manifestar seu desagrado. No mesmo dia da inauguração da nova efígie, um candelabro que estava bem fixo e seguro na parede se soltou e caiu sobre a imagem, despedaçando-a . O Padre Superior adoeceu e não pôde terminar seu mandato.

Foi eleito um novo Superior. Pe. Cirilo volta a suplicar-lhe para consertar a imagem. Mais uma vez seu pedido foi rejeitado. Sem desanimar, o Pe. Cirilo recorreu a Nossa Senhora. Mal terminara sua oração, chamam-no à igreja. Aproxima-se dele uma senhora de aspecto venerável, que lhe entrega uma vultosa esmola. Esta senhora desaparece sem que ninguém a tivesse visto entrar nem sair da igreja. Cheio de alegria, o padre foi contar ao Superior o que se passara, mas este só lhe deu meio florim (25 centavos). Sendo tal soma insuficiente para restaurar a imagem, tudo voltou à estaca zero.

Novas calamidades recaíram sobre o convento. Os religiosos não podiam pagar as despesas de uma propriedade improdutiva que haviam arrendado. Os rebanhos morreram, a peste devastou a cidade. Muitos carmelitas, inclusive o Superior, foram açoitados. Todos recorreram ao Menino Jesus. O Superior se penitenciou e prometeu celebrar 10 missas diante da estátua e propagar seu culto. A situação melhorou consideravelmente, mas como a imagem continuava no mesmo estado, o Pe. Cirilo não se cansava de se lamentar diante de seu generoso protetor, quando ouviu de seus divinos lábios estas palavras: "Coloca-me na entrada da sacristia e encontrarás quem se compadeça de mim".

Com efeito, apareceu um desconhecido que, notando o belo Menino desprovido de mãos, ofereceu-se espontaneamente para colocá-las, não demorando a ser recompensado: em poucos dias ganhou uma causa quase perdida, com a qual salvou sua honra e sua fortuna.

Os inúmeros benefícios alcançados por intermédio do milagroso Menino multiplicavam dia a dia o número de seus devotos. Por isto os carmelitas desejavam construir-lhe uma capela pública, considerando que o lugar onde deveriam levantá-la já fora indicado pela Santíssima Virgem ao Pe. Cirilo. Porém, faltavam os recursos e, além do mais, tinham medo de iniciar esta nova construção num tempo em que os calvinistas estavam arrasando todas as igrejas. Contentaram-se em colocar a imagem na Capela exterior, sobre o altar-mor, até 1642, quando a princesa Lobkowitz mandou construir um novo santuário, inaugurado em 1644, no dia da festa do Santíssimo Nome de Jesus.

Vinham pessoas de todas as partes para prostrar-se diante do milagroso Menino: pobres, ricos, enfermos, toda espécie de pessoas referiam-se a Ele como remédio para todas as suas tribulações.

Em 1655, o Conde Martinitz, Grão Marquês da Boêmia, brindou a imagem com uma preciosa coroa de ouro cravejada de pérolas e diamantes. O Reverendo D. José de Corte colocou-a no Menino em uma solene cerimônia de coroação.

Graças e maravilhas incontáveis atribuídas ao "pequeno Grande" (assim chamam na Alemanha o Menino Jesus de Praga), divulgaram-se nas regiões mais longínquas, o que fez seu culto se espalhar até os nossos dias de uma maneira prodigiosa.

A devoção ao Menino Jesus de Praga foi acolhida com amor em todas as nações. Mosteiros, colégios, escolas e famílias têm-lhe dedicado magníficos tronos. Numerosas paróquias possuem a estátua real e, em todos os lugares em que o honram, o Menino Jesus de Praga derrama inestimáveis favores sobre seus devotos. O Divino Menino deseja cumulá-los de graças. Veneremo-lo, tornemo-lo conhecido e amado, e ele nos abrirá os tesouros de sua bondade. As práticas de piedade estabelecidas em honra do Menino Jesus de Praga são inumeráveis, mas aquelas pelas quais ele tem revelado sua especial complacência são: a Ladainha do Nome de Jesus; a recitação de 5 pai nossos, ave marias e glórias, seguidos da jaculatória: "Bendito seja o Nome do Senhor agora e por todos os séculos dos séculos", que também deve ser repetida 5 vezes; a oração eficaz do Padre Cirilo; a oração do Rosário do Menino Jesus; e, finalmente, a celebração de sua festa, que é a festa de Seu Santíssimo Nome, no Segundo Domingo após a Epifania.

A leitura da história do milagroso Menino Jesus de Praga leva-nos a perceber que, freqüentemente, as graças solicitadas são concedidas após uma novena de súplicas e orações rezadas em sua honra. Também se nota que graças especiais são facilmente obtidas nas seguintes situações: quando se mandam celebrar missas, doam-se esmolas aos pobres em seu nome e quando os devotos se propõem a participar dos sacramentos e a publicar as graças recebidas.

Por meio desta nova e simpática manifestação do amor divino, Jesus deseja por fim a uma calamidade atual que se generalizou pelo mundo inteiro: a perdição da infância causada pela educação anticristã. Nosso Senhor Jesus Cristo, que sempre demonstrou um amor de predileção às crianças, manifesta claramente, através desta devoção, o seu grande desejo de ser honrado de forma especial como Rei e Salvador da infância, e quer, por isto, transmitir ao mundo inteiro, especialmente às crianças, os méritos das humilhações sofridas em sua divina infância.

Dediquemo-nos, pois, a honrar este amabilíssimo Menino, já que, tão abundantemente podemos obter suas bênçãos. Particularmente vocês, crianças inocentes, que têm a graça de ser os preferidos do coração desse amoroso Menino Jesus, devem professar uma fervorosa devoção ao Deus que se fez Menino como vocês e para vocês. Imitem suas virtudes. Tendo-o como exemplo, sejam obedientes, castos, amáveis, caridosos e piedosos. Recorram a Ele com total confiança em todas as suas necessidades e lhe confiem todos os sofrimentos do coração de vocês. Rezem muito por vocês mesmos, pela Igreja, por seus pais, familiares, mestres e amigos. Amem-no sinceramente e em nada o desagradem. Entreguem-se a Ele o máximo que puderem. Dêem-lhe sua alma, seu corpo e coração, para que os conservem puros e inocentes. Para merecerem sua constante proteção, carreguem com amor sua medalha, beijem com respeito sua imagem. De vez em quando pratiquem em sua honra alguma mortificação. Façam-lhe diariamente alguma oração que vocês conheçam e deste modo vocês experimentarão como é bom e generoso o Menino Jesus de Praga, o Menino Rei, o Deus enamorado das crianças.

Observação: A festa do Menino Jesus de Praga se celebra no primeiro Domingo do mês de junho.

13 de mar. de 2008

VI Encontro Nacional do Ministério para Crianças




Congresso Nacional do Ministério para Crianças da RCC-Brasil

Dias 14, 15 e 16 de Novembro em Joinville/SC

23 de fev. de 2008

A Páscoa e seus Símbolos

A Páscoa é uma festa de forte apelo comercial. Muitos se dão conta de sua proximidade ao se depararem com as belas cestas de Páscoa nas vitrines das lojas, os inúmeros coelhinhos de pelúcia e os ovos de chocolate... O que tem o coelho a ver com a Páscoa, se nem ovo a fêmea bota, e por que o ovo de chocolate?




O COELHO


É um dos primeiros animais que saem das tocas ao chegar a primavera, após um longo inverno de recolhimento. Ora, no hemisfério norte, a Páscoa ocorre nos primeiros dias da primavera (para nós que habitamos no hemisfério sul, a Páscoa e no outono) e os coelhos logo se põem a correr pelos campos verdes, repletos de flores, dando, portanto, a idéia de renovação da vida, que parecia estar morta durante o inverno. O que mais interessa religiosamente, é que os coelhos são animais que reproduzem com extrema facilidade e em grande quantidade. Vem daí a identificação com uma vida abundante, um processo de restauração, um ciclo que se renova todos os anos. E é isto exatamente que se relembra na Páscoa: a Ressurreição de Jesus, que traz consigo um novo tempo de paz e de esperança a toda a humanidade.

OVOS DE PÁSCOA

O costume de presentear as pessoas na época da Páscoa com ovos ornamentados e coloridos começou na antigüidade. Eram verdadeiras obras de arte! Os ovos de Páscoa hoje são famosos no mundo inteiro. Os mais comuns são os ovos de chocolate, recheados com balas, confeitos e bombons. O ovo é um símbolo de começo, de vida que está para nascer, apesar de aparentemente morto, contém uma vida que surge repentinamente, destruindo as suas paredes. Daí sua associação à Páscoa: lembra o Cristo que sai vivo após os três dias no sepulcro. A Ressurreição de Jesus também indica o princípio de uma nova vida, a redenção da própria humanidade e a promessa de um futuro cheio de alegria e felicidade para os que têm fé e esperança. Dentro do ovo gera uma vida, a vida é o Dom mais precioso de Deus. Ressuscitando para uma vida nova, Jesus revela a preciosidade que é a. vida.


Vejamos agora os símbolos religiosos da Páscoa:
CÍRIO PASCAL

Simboliza o Cristo Ressuscitado. As letras Alfa e Omega nele gravadas significam que Jesus é o principio e o fim, e os cinco grãos de incenso nele colocados representam as cinco chagas de Cristo. A sua chama, a luz de Cristo. "Eu sou a luz do mundo, quem me segue do andará nas trevas, mas terá a luz da vida."Na grande vela há ainda a indicação dos quatro algarismos do ano que está em curso, simbolizando a presença viva de Jesus junto a todos os povos do mundo, com união de fé e de esperança.

CRUZ
A cruz, instrumento de suplício no qual Jesus morreu, passou a ser um símbolo do cristianismo e também símbolo da Páscoa. Morrer na cruz era algo humilhante para os condenados, pois, além de ficarem com os corpos expostos publicamente, apenas os mais hediondos crimes eram punidos com tal pena. Jesus; ao morrer na cruz, deu à humanidade mais Uma lição de humildade: sendo Filho de Deus, que tudo pode, morreu da forma mais vergonhosa que havia em seu tempo. A Cruz, antes era símbolo de condenação, depois com Cristo, tornou-se símbolo de salvação. Na. Páscoa, relembra-se que Jesus venceu a morte e, glorioso, passou a viver seu Reino de justiça e de paz.



CORDEIRO

Representa mansidão. No Antigo Testamento o cordeiro era objeto de sacrifício a Deus e no Novo Testamento Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, porque se sacrificou por amor a todos nós.


SINOS
Representam o anúncio da ressurreição de Jesus. O seu repicar festivo convida todos para que nos alegremos e louvemos o Cristo ressuscitado. Ele ressuscitou, Aleluia!

GIRASSOL

Para a festa da Páscoa escolhemos de preferência as flores amarelas e brancas, que significam a realeza e a paz de Cristo. Entre elas o girassol tem um significado todo especial: assim como para sobreviver a planta precisa ter sua corola voltada para o sol, do nascente ao poente, também os cristãos precisam estar voltados para o Sol-Cristo. Cristo é a luz, a força, a energia. O cristão sem uma ligação com Jesus não encontra significado para sua vida.
PEIXE

É um dos mais antigos símbolos do cristianismo. Os primeiros cristãos que eram obrigados a esconder sua fé devido às perseguições, reconheciam-se pelo sinal do peixe. Corno o peixe vive na água que continuamente se renova. Assim na Páscoa nós renovamos nossa fé o nosso batismo. Valorizando toda simbologia comercial e religiosa, vamos nos preparar bem, para com muita alegria festejar a grande festa do Deus da vida!


Fonte: http://www.padrereginaldomanzotti.org.br/

22 de fev. de 2008

SEMANA SANTA


Dentro da Igreja Católica, as datas religiosas são sempre muito comemoradas pelos fiéis como uma maneira de recordar, resgatar e atualizar fatos num clima de ação de graças e de louvor. O ano litúrgico é o apêndice de todas as comemorações. Ele surgiu e se desenvolveu a partir da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. A sociedade de consumo tem dado, ao longo dos anos, um caráter especial para a festa de Natal, porém, o principal evento do calendário litúrgico, é o Mistério Pascal. O Mistério Pascal, que é a mais importante celebração cristã, constitui a Semana Santa. A Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor constituem essa semana sagrada para a Igreja e, cada um desses fatos, reúne características importantes dentro da história da Igreja.




A SEMANA SANTA



A origem da festa está nos costumes judaicos. Inicialmente era a festa da passagem das pastagens. O rebanho era levado de um pasto fraco para um pasto de capim viçoso. Chamava-se "Dia da Páscoa". Esta festa existe antes de Moisés. Ela se combinou com a festa dos ázimos expressando o momento em que o povo de Israel passou para a agricultura, e então celebrava esta festa no princípio da colheita. O texto fundamental da narrativa da páscoa judaica está no livro do Êxodo (12, 1-13) e descreve a luta de Javé pela libertação de seu povo da escravidão do Egito, para levá-lo sobre suas asas ao encontro do Sinai e da Aliança. É uma festa de família, celebrada na noite de lua cheia no início da primavera, no 14º dia do mês das espigas, que depois do exílio, passou a se chamar Nisan. As comunidades neotestamentárias celebravam o Mistério Pascal juntamente com a festa da Páscoa judaica. Os cristãos da Síria e Ásia Menor celebravam o mistério no dia 14 do mês Nisan, independentemente de um dia certo da semana e, em Roma, na maior parte das igrejas, o mistério era comemorado no domingo seguinte ao 14 de Nisan. Essa controvérsia quanto à data correta de comemoração do Mistério Pascal dificultava a unificação da Igreja. A fim de diminuir as disputas sobre essa data, em 325, o Concílio Ecumênico de Nicéia prescreveu que a Páscoa deveria ser celebrada no domingo depois da primeira lua cheia da primavera daquele hemisfério, evitando assim, que ela fosse comemorada no mesmo dia da Páscoa judaica. Mais tarde, surgiu a necessidade de estabelecer uma data para essa comemoração, em função do estreitamento dos povos das mais diversas regiões. Por causa disso, o Concílio Vaticano II estabeleceu um código que tinha como objetivo dar à festa da Páscoa um Domingo determinado e estabelecer um calendário fixo. Com o tempo, a palavra Tríduo Sacro (Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor) foi adotada, constituindo assim, o núcleo da celebração do Mistério Pascal que, juntamente com o Domingo de Ramos e os três dias que o seguem constituem a Semana Santa. É nela que ocorre a preparação espiritual mais próxima da grande festa da Ressurreição. A Semana Santa, que inclui o Tríduo pascal, visa recordar a Paixão e a Ressurreição de Cristo, desde a sua entrada messiânica em Jerusalém. Os ritos especiais da Semana Santa, isto é, a bênção e procissão de ramos, a transladação do Santíssimo Sacramento depois da Missa da Ceia do Senhor, a ação litúrgica da Sexta-feira da Paixão do Senhor e a Vigília pascal, podem celebrar-se em todas as igrejas e oratórios. Mas convém que, nas igrejas que não são paroquiais e nos oratórios, sejam somente celebrados se puderem ser realizados dignamente, isto é, com número conveniente de ministros, com a possibilidade de se executar ao menos algumas partes em canto, e uma suficiente freqüência de fiéis. Senão, conviria que as celebrações fossem realizadas somente na igreja paroquial e em outras igrejas maiores. Um domingo antes da Páscoa é celebrado o Domingo de Ramos.


DOMINGO DE RAMOS


No Domingo de Ramos, da Paixão do Senhor, a Igreja entra no mistério do seu Senhor crucificado, sepultado e ressuscitado. O Domingo de Ramos foi instituído, desde o século IV, como uma maneira de recordar a entrada de Jesus de Nazaré na cidade de Jerusalém. Vários outros costumes foram empregados ao Domingo de Ramos, porém foi somente na segunda metade do século VII que o Vaticano restaurou a ordem dos Domingos da Quaresma. Atualmente, a Celebração de Ramos tem dois momentos: o primeiro, em que é feita a Bênção dos Ramos e, o segundo, onde é realizada uma missa, sendo que neste momento é feita uma reflexão sobre a Morte e Ressurreição do Senhor. Ao final da Celebração, os ramos de oliveira ou palmeira são abençoados e levados pelos fiéis para serem colocados em uma cruz nas suas casas ou sobre alguma tumba no cemitério, como um sinal de compromisso com Cristo e simbolizando a força da vida e a esperança da ressurreição. O Domingo de Ramos não é um dia apenas de contemplação, mas sim, um dia de se entregar ao caminho de Cristo e se alegrar com a chegada dele em sua vida. É nesse Domingo que a Igreja vive dois mistérios da vida de Jesus: o primeiro é representado pela procissão de ramos e relembra a entrada de Cristo em Jerusalém; o outro é a Paixão de Jesus, que vai continuar sendo celebrado durante a Semana Santa. Na Bíblia a chegada de Jesus a Jerusalém é contada nos Evangelhos de São Mateus 21, 1-11; São Marcos 11, 1-11; São Lucas 19, 28-44 e São João 12, 12-19.




SEGUNDA, TERÇA E QUARTA-FEIRA SANTAS



A Segunda e Terça-feira da Semana Santa não remontam aos primeiros tempos da liturgia da Igreja Católica. Porém, na Quarta-feira Santa duas celebrações faziam parte da programação: pela manhã, uma reunião comunitária simples com a liturgia da palavra e, ao anoitecer, uma missa. Segundo os princípios da Igreja, esses três dias são uma preparação para o Tríduo Sacro, ou seja, para os dias da Crucificação, Morte e Ressurreição de Jesus.




QUINTA-FEIRA SANTA



O significado da Quinta-feira vem ao longo dos séculos, evoluindo, principalmente devido às reformas litúrgicas introduzidas pela Igreja. Na Igreja Romana, até o século VII, a Quinta-feira Santa marcava o fim da Quaresma e do jejum penitencial, e o início do jejum na espera da Ressurreição do Senhor, a partir da Sexta-feira. Durante a manhã, a Igreja Romana só realizava a reconciliação dos penitentes e não havia a Ceia do Senhor. A partir do século VII, em Roma, eram realizadas três missas, sendo uma pela manhã, outra ao meio-dia e outra à noite. Em meados do século V, o ritual do Lava-pés passou a ser realizado em Jerusalém. A liturgia da Quinta-feira Santa ainda sofreu dois acréscimos, um deles foi a criação de um "tabernáculo provisório" com a função de transportar o que restou da espécies sagradas, seguindo um ritual de honra. Esse tabernáculo foi considerado pela devoção popular como sendo o sepulcro de Cristo. O outro acréscimo estabeleceu que o altar não deveria conter toalhas, flores e ornamentos a fim de representar o Despojamento de Cristo na Cruz. Alguns séculos depois as reformas continuaram. Uma celebração eucarística foi acrescentada ao início da noite, pelo Papa Pio XII, em 1955, representando a Ceia do Senhor. A benção dos santos óleos, realizada na manhã da Quinta-feira tornou-se um dia sacerdotal em que os sacerdotes renovam suas promessas. A cerimônia do Lava-pés foi uma outra celebração exigida pelo Concílio de Toledo (634) e recorda o gesto de Jesus em lavar os pés de seus discípulos, e a dizer: "Sede assim uns com os outros" - significando que devemos servir uns aos outros, com total humildade, gratuidade e amor. Ao final da missa da Quinta-feira Santa há a cerimônia de adoração ao Santíssimo Sacramento, geralmente com o tradicional canto em latim Tantum Ergo, ou Pange Língua em latim ou em português.




SEXTA-FEIRA SANTA


Na Sexta-feira Santa (também conhecida como Sexta-feira da Paixão ou Sexta-feira Maior) a Igreja celebra esse dia como a Morte do Senhor. É um dia de respeito, silêncio e simplicidade quando se deve recordar e compreender a dor e o sofrimento de Jesus, e refletir sobre a absolvição de todos os pecados da humanidade. Atualmente, não se celebra a Eucaristia porque a Igreja não realiza missas ou qualquer sacramento nesse dia. A celebração é dividida em Paixão Proclamada, com a liturgia da palavra; Paixão Invocada, com a solene oração universal, realizada pela Igreja para as comunidades do mundo inteiro; Paixão Venerada, com a adoração da cruz, local onde está centrada as dores de Jesus; e Paixão Comungada, com a comunhão eucarística. É nesse dia também que se lê o relato da Paixão e se faz as procissões da Via-Sacra - ou Caminho da Cruz, com as suas quinze estações, em grandes preces pela Igreja pelo mundo, e a seguir, a adoração da Cruz.




SÁBADO SANTO



É chamado de Vigília Pascal, ou Sábado de Aleluia. No início do cristianismo, o Sábado Santo não tinha liturgia, e a eucaristia não era celebrada. Nesse dia, havia apenas o último exorcismo solene feito pelo bispo. No século II, a Vigília Pascal era marcada pela celebração da palavra, o batismo e a celebração eucarística. A partir do século IV, teve início à celebração do Sacratíssimo Tríduo do Senhor Crucificado, Sepultado e Ressuscitado. A utilização da expressão Tríduo Pascal só passou a ser usada em 1930. Mais tarde, no século VII, a Vigília Pascal passou a ter início na tarde do Sábado e a eucaristia era celebrada no começo da noite. As leituras começavam a partir das duas horas da tarde, havia a benção do fogo e o canto "Exulted". Por se passar em plena luz do dia, essa celebração passou a ter um caráter negativo, pois falava em "feliz noite". Assim o Papa Pio V proibiu a celebração da eucaristia durante à tarde, e algumas pessoas passaram a realizar a Vigília no Sábado cedo. A fim de extinguir o conceito da festa, o Papa Urbano VIII acabou com a popularidade da Vigília. Todas essas proibições fizeram com que as celebrações sofressem mudanças radicais com a reforma litúrgica de Pio XII e o Vaticano II. Antes da reforma, a primeira parte da liturgia era reservada quase somente ao clero, aos ministros e a um pequeno grupo de convidados. Somente depois das reformas, as celebrações tomaram outro caráter. Segundo antiqüíssima tradição, esta noite deve ser comemorada em honra do Senhor, e a Vigília que nela se celebra, em memória da noite santa em que Cristo ressuscitou, deve ser considerada a mãe de todas as santas Vigílias (Sto. Agostinho). Pois nela, a Igreja se mantém de vigia à espera da Ressurreição do Senhor, e celebra-se com os sacramentos a Iniciação cristã. Toda a celebração da Vigília Pascal se realiza de noite; mas de maneira a não começar antes do início da noite e a terminar antes da aurora do Domingo. Esta Vigília é o cume do ano litúrgico. A noite do Sábado Santo passou a ter as seguintes partes:


A Celebração da Luz - Realiza-se perante a fogueira acesa, na qual se acende o círio pascal. A reunião dos fiéis ao redor da fogueira manifesta a participação comunitária. A antiga tradição de acender a fogueira através do atrito entre pedras tem a ver com a alusão a Cristo, que é a pedra angular e que, do túmulo escuro de pedras, nasce como luz para o mundo.


A Celebração do Círio - O Círio Pascal nasce da tradição de iluminar a noite com tochas de fogo ou muitas lâmpadas. Elas representam o Senhor ressuscitado como luz nas trevas humanas. Seguir o Círio Pascal em procissão tem grande valor simbólico, pois representa o seguimento, pois representa o seguimento de Jesus, que se apresenta como a luz do mundo e lembra o povo de Israel que seguia Moisés na escuridão em busca da libertação, iluminando somente pela fé em Javé.


A Liturgia da Palavra - Nove leituras bíblicas, sendo sete do Antigo Testamento e duas do Novo Testamento (epístola e evangelho), que podem ser diminuídas por razões pastorais. Todas estas leituras são entremeadas por salmos ou cânticos, que devem ter, além da proclamação de seu conteúdo específico, a função de dinamizar e animar a assembléia celebrante.


A Liturgia Batismal - A Igreja, desde os primeiros séculos, ligou a celebração do batismo à noite pascal, pois esta foi sempre a celebração, por excelência, da realização do batismo na comunidade cristã primitiva.


A Liturgia Eucarística - É o coração da vigília pascal. Embora as circunstâncias das comunidades urbanas sejam menos propícias, por questão de transporte e mesmo de violência, muitas comunidades rurais ou de bairros realizam um ágape ou uma confraternização após a celebração da vigília, para comemorar e celebrar de forma festiva este acontecimento fundamental da fé cristã. Quando preparado pela equipe de liturgia ou pelos membros da comunidade, deve-se estimular a participação de todos, pois este evento constitui parte integrante da celebração.




DOMINGO DE PÁSCOA



No início do cristianismo, como a Celebração Pascal celebrada no Sábado Santo durava até a madrugada não existia uma liturgia própria para o Domingo. Somente após a reforma de 1955 foi que o Domingo de Páscoa passou a ter um caráter verdadeiro. Em uma celebração muito alegre, a comunidade se reúne para exaltar Jesus Cristo que venceu as barreiras da Morte e convida todos a Ressurreição.



PÁSCOA

A Páscoa é a principal festa do ano litúrgico cristão, comemorativa da Ressurreição de Jesus Cristo, no terceiro dia após a Crucificação. É também a época que os judeus comemoram a libertação do seu povo do jugo egípcio.


A festividade da páscoa foi fixada pelo Concílio de Nicéia (325 d.c.) no primeiro domingo após a lua cheia que se seguir ou anteceder o dia 21 de março. Se a lua cheia cai em 20 de março, a seguinte será então a de 18 de abril (29 dias após). Se este dia for um domingo, a Páscoa, será então a 25 de abril. Assim, a festa da Páscoa oscila entre 22 de março e 25 de abril, e de sua data dependem as datas de todas as outras festas móveis: Paixão, Ramos, Ascensão, Pentecostes, Trindade e a festa de Deus (Corpo de Deus ou do Santíssimo Sacramento).





Suas origens remontam aos primeiros tempos do cristianismo e é provavelmente, a mais antiga comemoração cristã que celebra a Ressurreição de Jesus Cristo. O nome Páscoa vem do aramaico pasha, em hebraico pesah. O seu significado etimológico é incerto. Alguns procuram-no em raiz egípcia que significa “golpe” ou “ferida”. Há quem prefira ligar a palavra ao siríaco, que significaria “ser feliz”. Entretanto o significado geralmente aceito é o que adquiriu no hebraico bíblico: “saltar”, “passar adiante”. No livro de êxodo a palavra relaciona-se à noite em que Javé feriu os primogênitos do Egito e “poupou” ou “saltou” as casas dos israelitas cujas traves das portas estavam pintadas com o sangue do cordeiro pascal.

30 de jan. de 2008

A verdadeira Páscoa (Teatro)

Esta história aconteceu às vésperas do dia da Páscoa, tudo porque dois símbolos da Páscoa resolveram se achar grandes e poderosos demais. Vamos ver!

COELHO: Ora, amigo ovo de chocolate, a Páscoa sem mim não vale nada! Eu sou a Páscoa! Sem mim as crianças não tem Páscoa. Tudo fica sem graça...

OVO: Mas você é mesmo muito vaidoso! Vaidoso e burro! Responda-me: o que as pessoas compram pra dar na Páscoa? Claro que é ovo de chocolate. Às vezes compram um ou outro coelhinho de pelúcia ou chocolate. Mas, eu sou o campeão nas vendas. Ovos coloridos, recheados... Eu sou muito mais Páscoa que você!

COELHO: Aí que você se engana seu ovinho mixuruca! Quando você aparece nas propagandas de TV eu sempre apareço junto, como se fosse eu que o levasse, o que é muito estranho, pois tem criança achando que coelho bota ovo. Isso é muito desconcertante! Outro dia foi uma luta explicar para o Luisinho que "Coelho e ovo" andam juntos só por simbolizarem a mesma coisa.

OVO: É nisso você tem razão: nós dois estamos na frente nessa época da Páscoa. Não tem ovo sem coelho e nem coelho sem ovo. Então proponho um acordo, porque tem muita gente ganhando dinheiro as nossas custas e para nós dois não sobra nada, nadica de nada! Vamos nos unir e cobrar das televisões, das fábricas de chocolate, todas as vezes que nos usarem! Nós vamos ficar bilionários.

COELHO: É mesmo, senhor ovo, estou até precisando de algum trocado, Ih, mas olha só quem está chegando... são os outros símbolos da Páscoa.

(O GIRASSOL VAI À FRENTE E FALA)